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A boa ideia que não vende!


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Em vários momentos temos insights e ideias as quais achamos que são as melhores já criadas. Durante algum tempo da minha vida vivi uma experiência que me fez refletir bastante sobre a criatividade do ser humano e a capacidade que o mesmo tem de transformar isso num produto para o mercado.

Nunca achei uma fonte que comprovasse isso, mas já escutei em mais de 10 rodas de profissionais a seguinte frase: “Cada ser humano um dia já teve uma ideia que pudesse mudar o mundo, porém, não conseguiu executá-la”. Esta frase é sempre seguida de: ” Se você tem alguma ideia, corra atras e coloque-a em prática, senão outro irá colocar” . Será que é tão simples assim como parece?

A maioria acha que o mais difícil é conceber uma grande ideia. O apego à este “insight fabuloso” obtido, transforma o “dono” desta inovação em uma pessoa com paixão extrema sobre aquilo, às vezes uma grande obsessão. Muitas vezes, ele não enxerga que o trabalho de transformar aquilo em realidade é tão importante ou maior do que conceber a própria ideia. Uma ideia não é um produto. O produto é a fase final, quando já existe a possibilidade do mercado avaliar a consumação do mesmo.

A ideia é o primeiro passo. Em seguida, é essencial um plano estratégico para esta ideia. Onde se quer chegar? O que se pretende ter de retorno ? Quais são os nichos que irá atacar? Qual valor agregado que o produto terá? Custo? Preço? Etc. Existem vários modelos de negócio onde pode-se aplicar um excelente plano estratégico. Eu gosto bastante do Canvas. Paralelo à isto, é de extrema importância que se faça uma análise de mercado, para ter a certeza de que o público está ao tempo de sua ideia. Toda informação é muito bem vinda, pois o sucesso do seu produto está diretamente ligado à adesão do público em geral. Ouvi-los nunca é demais! Por último, a fase de maior investimento, que envolve a concepção e venda. No desenvolvimento, pode-se descobrir inúmeras oportunidades de melhoria, que devem ser avaliadas, porém, com a convicção que o projeto deve ter um foco, e o mesmo deve ser pautado pelo que foi discutido no plano estratégico. É muito comum surgirem tantas ideias neste momento que desvirtue totalmente a ideia original. Por fim, uma estrutura administrativa que suporte a operação e uma equipe de vendas que consiga rentabilizar a sua ideia.

É muito comum as pessoas acharem que uma etapa é mais importante que a outra, mas não é. Todas são essenciais. Acontece de alguém ter uma ideia fantástica e não conseguir executar. Ou os melhores programadores do mundo desenvolverem um aplicativo com códigos perfeitos, de uma ideia que não é tão boa. Ou até contratarem uma equipe comercial campeã para vender algo que o mercado não tem interesse.

É muito comum também a paixão pela ideia falar mais alto que a razão e o inventor achar que o produto dele irá revolucionar o mundo, sem sequer ouvir o mercado e saber se aquilo realmente vai fazer alguma diferença. Ou até pensar no que precisa ser feito para que o produto venha ter uma aderência do mercado. O fato é que nenhuma das etapas citadas são passíveis de ser abandonadas.

Na área de tecnologia vemos constantemente novos APPs, através de novas ideias, serem criados e jogados no mercado. A pergunta a se fazer é: Quantos destes APPs realmente são aproveitados e utilizados? O mercado tem interesse em nossa ideia? Ela é rentável? É muito bom ter paixão naquilo que se faz, mas devemos enxergar nossas ideias como negócios para que elas não morram na praia.

Tenho visto um novo programa no canal History Channel. O Inventor Milionário. Ele aborda sobre muita coisa que foi dita aqui. Coloca o inventor à frente de um especialista, que por sua vez, depois de sugerir melhorias, o coloca na frente de investidores. Para quem pensa em um dia viver de uma grande ideia, vale a pena ver:

Victor Mansur

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2 Respostas

  • Cristian Privat em 5 de julho de 2016, 10:00:48

    Bastante interessante a temática.
    Transformar uma idéia em algo concreto e viável envolve transpor, na maioria das vezes, um vasto abismo. Um outro conceito que é negligenciado. Validar a idéia com uma simples “pesquisa de opinião” com pessoas próximas. As vezes uma idéia é concebida com uma visão muito pessoal para resolver um problema igualmente pessoal. Durante a validação é possível colher feedbacks essenciais para validar o conceito original. Vale o exercício.
    Parabéns pelo texto.

    Responder para Cristian
  • Alexandre Huang em 5 de julho de 2016, 13:44:11

    Muito bom, Victor! É isso mesmo.

    Responder para Alexandre

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