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Ágil e Agilidade…


Este texto é uma contribuição de Fernando Mendes, analista de sistemas sr. da Capgemini.

Sem título

 


Há poucos dias ouvi de um profissional de TI, cujo currículo dispensaria criticas, a seguinte frase:

“Estamos adotando metodologia ágil, agora tudo é ágil, vamos simplificar, colocar todos juntos e manter uma reunião regular de 30min todos os dias e pronto, está resolvido… vamos ser práticos. Agilidade!”

Muito bem. No exato momento, minha primeira reação foi querer questionar, porém, contive meu impulso e avaliei a situação. Foram frações de segundos. Tentei entender exatamente qual era o ponto de vista apresentado, tentei entender aquele conceito ágil, mas infelizmente não cheguei a uma conclusão óbvia e preferi não interferir no discurso, que aparentemente estava sendo construído com vigor e propriedade. Algo me incomodava e não fui capaz de identificar naquele momento o que seria.

O tempo passou!

Refletindo sobre o fato algumas horas depois identifiquei que o meu incômodo poderia ser com a forma que o conceito ágil e agilidade foram apresentados. Avaliei um pouco mais a minha suspeita e decidi escrever explicando o que me incomodava.

Hoje é comum encontrar textos sobre os temas metodologias ágeis, gestão ágil de projetos, como manter um time ágil e elaborar mais um texto com alguns desses tópicos para explicar, seria apenas mais um entre muitos. Com base nessa afirmação escrevo apresentando um lado critico sobre a compreensão do conceito ágil e agilidade no contexto de gestão de projetos.

Qual o conceito de ser ágil e ter agilidade? Ser ágil e ter agilidade podem ser interpretados apenas como velocidade e agir com velocidade? Acho que essas são as primeiras perguntas que devem ser esclarecidas.

O conceito do adjetivo ágil é definido como velocidade, é possível encontrar em diversos dicionários a relação direta de ágil com velocidade, do mesmo modo que o conceito de agilidade está diretamente ligado ao ato de ser ágil ou a habilidade de se executar uma determinada ação com velocidade.

Ágil e agilidade são conceitos amplos o suficiente para permitir interpretações variadas, logo o conceito que deveria ser aplicada dentro do ambiente de TI é:

  • Ser ágil é executar com eficiência e eficácia, tendo como base padrões e regras predeterminadas, dentro de um período preestabelecido, alinhado a expectativas comuns.
  • Ter agilidade é possuir habilidade e criatividade para criar ou adaptar continuamente, formas de garantir a execução ágil de um produto ou serviço.

A criatividade é um dos elementos principais que deve ser aplicada no contexto ágil.

Criatividade aplicada é a criatividade canalizada. Aplicar criatividade em um processo significa conhecer o ambiente e todo o processo de execução e buscar intuitivamente espaços e oportunidades dentro do processo atual para torná-lo ágil.

Tornar o seu processo ágil não é simplesmente observar estudos de casos bem sucedidos e tentar aplicá-los no seu ambiente de trabalho, e sim, buscar através de experiência e criatividade, formas ágeis de adaptar o atual, modificar o existente e torná-lo novo e produtivo. Para que isso ocorra é preciso quebrar paradigmas, entender que cada projeto tem sua característica e que a metodologia de trabalho deve ser especifica para cada produto e equipe envolvida. Produtos iguais podem ter processos de produção diferentes.

Quando alguém me pergunta como tornar um processo ágil costumo responder: “Depende do ponto de vista… é preciso conhecer as variáveis”. Tornar um processo ágil e ter agilidade para executá-lo depende de variáveis que precisam ser articuladas, analisadas e lapidadas de modo criativo.

Para assumir um perfil ágil é interessante assumir uma postura sustentada por conceitos como transparência, inspeção, adaptação e agilidade muito bem baseada no manifesto ágil.

Dominar esses conceitos e compreendê-los em sua plenitude é o primeiro passo para o sucesso:

  • Indivíduos e interações: são mais importantes que processos e ferramentas.
  • Produto aderente: é mais importante do que documentação completa e detalhada.
  • Colaboração com o cliente: é mais importante do que negociação de contratos.
  • Adaptação a mudanças: é mais importante do que seguir o plano inicial.

Lembre que:

“Ágil não é receita de bolo, contudo, você precisa dominar a ciência, saber substituir ingredientes ou acrescentar ingredientes na falta de uns ou na abundância de outros, sempre provando a receita e mantendo a essência, com a certeza de que o bolo está sendo preparado ao gosto de quem irá degustá-lo”, Fernando Mendes

Victor Mansur

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4 Respostas

  • Carolina em 4 de novembro de 2016, 16:25:16

    Bravo! Orgulho desse colega.
    Me identifico e concordo plenamente. Ser ágil é também ser mutável. É experimentar, avaliar os resultados e mudar de caminho caso necessário…

    Responder para Carolina
  • Nete Mendes em 4 de novembro de 2016, 18:01:55

    Meu filho só me enche de alegria e orgulho. E digo mais…Ser ágil é ter uma consciência, do seu potencial em saber adaptar-se as mudanças atuais, porem sem perder a essência do produto, ou seja o ideal desejado

    Responder para Nete
  • Luciana Nogueira em 4 de novembro de 2016, 18:22:33

    Parabéns pelo excelente artigo. Sua experiência e embasamento técnico são notáveis na matéria.

    Responder para Luciana
  • Hilmar Mendes em 4 de novembro de 2016, 22:13:55

    Apartir desse rápido e lógico raciocínio, deduzimos que as duas palavras que significam basicamente o mesmo seguimento prático agem em pró de uma só ação dinâmica; tempo acompanhado da perfeição como objetividade e praticidade na satisfação final do produto sob a satisfação e aprovação do cliente.

    Responder para Hilmar

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