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Cabos Ópticos Submarinos no Brasil – Uma abordagem conceitual


Este texto é uma contribuição de Francisco Badaró, gerente de tecnologia do Grupo Softcomp.


INTRODUÇÃO

Era uma vez um mundo isolado, onde as sociedades viviam devidamente isoladas e uma mensagem para chegar de um lugar para outro levava semanas. Vivemos na era (pelo menos eu que sou de 1980 posso falar) da hipermídia, na era da internet, na era dos grandes avanços em Telecom e muitos deles devido à alta capacidade de transmissão proporcionada atualmente pelas redes ópticas submarinas. Cabe informar que, claro, quando os primeiros cabos submarinos eram metálicos (cobre, coaxial), era o inicio e a demanda era outra, não existiam demandas de hipermídias, apenas as demandas de telegrafia e telefonia em princípio.

Na internet podemos encontrar alguns sites com referência da planta instalada, atualmente um dos melhores sites para verificação do atual status, seria o http://www.submarinecablemap.com/ . Existem outros como o Greg’s Cable Map  http://www.cablemap.info/ , entretanto o Submarine Cable Map da Telegeography se mostrou mais atualizado .

Este portal contem as informações sobre os land-points principais, sua localização e os principais cabos nele presentes.

Atualmente temos em operação, aproximadamente 300 cabos ópticos submarinos ao redor do mundo (estatística média de 2016), instalado nos mais diversos lugares interconectando a nossa sociedade como nunca antes visto em nossa história.

Abaixo segue a relação de alguns deles:

ACS Alaska-Oregon Network (AKORN)  / Bahamas 2 Bahamas Domestic Submarine Network (BDSNi)  / CIOS Circe North Circe South / COAM Colombia-Florida Subsea Fiber / Fibralink Finland Estonia Connection / South Atlantic Cable System (SACS) / South Atlantic Express (SAEx)

CABOS ÓPTICOS SUBMARINO NO BRASIL – A INFRAESTRUTURA DE BACKBONE NACIONAL.

Em operação aqui no Brasil, temos atualmente 14 cabos conforme abaixo dispostos. Alguns deles, ainda em obra com a previsão de entrada em produção em 2016.2 (que não se cumpriu em sua totalidade) e 2017.2 e 2018 como o EulaLink do consórcio Islalink e a Telebras, cuja missão é interconectar Brasil e Europa para melhorar a capilaridade de rede nacional.

No Brasil temos alguns land-points e os respectivos cabos que chegam neles, os quais podem ser citados:

Em Salvador, podemos observar o SAM-1, e o AMX-1

No Rio de Janeiro o AMX-1, o Globenet, o SAM-1, o SAC, o LAnNautilus.

Em Santos, o Monet, o Seabras-1, o SAM-1, o SAC, o LanNautilus, o Tannat

E em Fortaleza, o mais denso de todos os land-points do Brasil , temos o Amx-1, o Americas II, o Atlantis II, o CBCS (Cameron-Brazil Cable System), o Globenet, o Monet, o Seabras-1, o Sam-1, o SAC, o LanNautilus, o SACS (South Atlantic Cable Systems), o SAEx (South Atlantic Express) e o EulaLink.

Destes, podemos falar dos principais, conforme exposto no portal do Ministério das Comunicações:

  1. AMX 1 – Tem 17.800 km de extensão. Pertence à América Móvil e passa pelo Brasil, Colômbia, América Central (Mexico, Guatemala, República Dominicana e Porto Rico)
  2. Americas 2 – Tem 8.373 km de extensão e foi implantado em 2000. Ele foi construído por um consórcio de 14 empresas, entre elas Embratel e Portugal Telecom. Sai de Fortaleza, passa pela Guiana Francesa, Trinidade e Tobago, Martinica, Porto Rico, Ilhas Virgens Americanas e chega à Hollywood, no estado americano da Flórida.
  3. Atlantis 2 – Implantado em 2000, este cabo liga Fortaleza a Lisboa, com conexões no Senegal, Ilhas Canárias e Cabo Verde. São 8500 Km de cabos atravessando o Atlântico. Sua capacidade é limitada, tem apenas 40Gb/s, tanto que a transmissão de sinais de voz é priorizada.
  4. GlobeNet – De propriedade da BTG Pactual, este cabo possui 23.500 km de extensão e foi implantado no ano 2000. Parte de Fortaleza – tendo conexão no Rio de Janeiro – e segue para Venezuela, Colômbia, Estados Unidos e Bermudas.
  5. Sam-1 – Esse é o maior dos cabos que passam pelo Brasil: tem 25.000 km. Começou a ser construído pela Telefônica em 2001 e parte da Argentina, passa pelo Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza. De lá, segue para Porto Rico, Colômbia, Flórida, Guatemala e retorna para a parte oeste da América do Sul, cortando três países (Equador, Peru e Chile).
  6. SAC/LAN – Com 20.000 Km de extensão, este cabo também contorna a América do Sul passando pelo Caribe e Estados Unidos. Implantado no ano 2000 tem como proprietários a Level 3, Telecom Italia e Sparkle.

Cabe salientar , entre outros detalhes, que no site supracitado (http://www.submarinecablemap.com/) esta defasada a informação sobre o Unisur, um cabo óptico de um consórcio formado pelas operadoras Embratel, Antel (Uruguai) e Telintar (Argentina) com participação também da Telefônica, que esta em operação desde 1994, compõe-se de um cabo submarino de fibra ótica com 1.741 quilômetros de extensão, 10 repetidores e 15.120 canais. Permite o tráfego de todos os tipos de meios de comunicação, como televisão, telex, telefonia, dados.

CABOS ÓPTICOS EM FASE FINAL DE IMPLANTAÇÃO NO BRASIL

Além dos cabos supra já citados, também destaco alguns cabos que ainda não estão em produção, mais que vão aumentar a capilaridade nacional quando entrarem e melhorar a capacidade e desempenho de transmissão daqui do Brasil para a África, Europa e mais um para otimizar ainda mais a interconexão entre Brasil e Estados Unidos.  Entre eles o Monet, o EulaLink, o South Atlantic Express (SAEx) o South Atlantic Cable System (SACS) e o Cameroon-Brazil Cable System (CBCS) e o Seabras-1.

O Monet, cabo óptico de propriedade do consórcio (Angola Cables, Google, Algar Telecom, Antel Uruguay),  com previsão para entrada em produção no final de 2017, com estimativa de vida útil de 20~25 anos, construído e mantido pela TE Connectivity SubCom em regime de condomínio pelas empresas donas (Cada uma com sua abordagem de negócios específica) e com participação de uso também de entidades acadêmicas como a RNP, tem como função a otimização da interconexão entre Brasil e USA. Só de upgrade na capacidade acadêmica estão previstos aproximadamente 640gb/s.

A perspectiva é a de que essa capacidade dê um salto, com a implantação de um novo cabo submarino entre Brasil e EUA, o Monet, cofinanciado pela Google. “Quando entrar o cabo Monet, os usuários acadêmicos deverão ganhar 600 Gb/s, elevando a capacidade total para 640 Gb/s”, explica o porta voz do Google, que espera com o projeto otimizar a sua capacidade no Brasil, deixando de depender por exemplo da Global Crossing/Level 3 entre outros que o transportam dos USA para o Brasil.

Esse cenário oferece à comunidade acadêmica sul-americana condições para maior colaboração em projetos que demandam grande capacidade de rede. No caso do Monet, um dos grandes compradores de capacidade no cabo será o projeto Large Scale Synoptic Telescope (LSST), que está construindo um novo telescópio óptico no Chile.

O cabo ligará as cidades brasileiras de Santos (SP) e Fortaleza (CE) à de Boca Raton, na Flórida (EUA). Com seis pares de fibra, o cabo terá extensão de 10,5 mil km. A expectativa do grupo é que essa instalação amplie a largura de banda dos cabos submarinos já existentes em 64 Terabits por segundo (Tbps). Todas as companhias participarão da construção e financiamento do cabo. Segundo o Google, o intuito da ligação Brasil-EUA é ampliar a estrutura necessária à conexão entre os usuários latinos, quase 300 milhões, e a sede das maiores centrais de dados acessadas no mundo. Além de a região apresentar rápido crescimento na penetração de internet, o aumento da implantação das redes LTE (tecnologia da internet de quarta geração, o 4G) e das redes de fibra ótica podem impulsionar o aumento da demanda. Contam também conteúdo de alta qualidade de imagem (HD, 4K) e serviços baseados na nuvem (não instalados no dispositivo dos usuários e acessados pela internet).

O GOOGLE JÚNIOR (SOB O MONET E O TANNAT)

Na sua missão de otimizar os seus serviços, o google deu mais um importante passo para otimização aqui no Brasil.

Ele iniciou um projeto, para instalação e operação de mais um cabo óptico submarino, batizado de Junior como uma homenagem ao pintor e desenhista brasileiro José Ferraz de Almeida Júnior (1850-1899). O cabo ligará a Praia da Macumba no Rio de Janeiro à Praia Grande na Baixada Santista, uma distância de aproximadamente 390 quilômetros. O início da operação do sistema está previsto para o segundo semestre de 2017.

Composto de oito pares de fibra e de três repetidores submarinos desenvolvidos pela Padtec, o Júnior se interconectará com outros dois cabos oceânicos na região, ambos previamente anunciados pelo Google. O primeiro deles é o MONET, um cabo de 10 mil quilômetros que conectará Boca Raton, no estado americano da Flórida, a duas importantes cidades no litoral brasileiro, Fortaleza e Santos. O segundo é o TANNAT, que se estenderá por 2 mil quilômetros de Santos até Maldonado, no Uruguai.

Ref:  https://brasil.googleblog.com/2016/03/novo-cabo-submarino-de-dados-ligara-rio.html

O Cabo Óptico Tannat

 

O Cabo Óptico Google Junior

 

OTIMIZANDO PARA EUROPA E AFRICA

 

Em 4 de dezembro passado a Telebras e a espanhola IslaLink firmaram o cronograma de implantação do cabo Eulalink. Um cabo óptico para interconexão do Brasil com a Europa. Seria o segundo, alternativa ao já lotado Atlantis-2 (Um detalhe sobre o Atlantis-2 é que ele é um cabo de baixa capacidade), em comparação com os atuais e é quase que usado em sua totalidade para telefonia, fazendo com que o EulaLink seja o primeiro cabo Brasil-Europa com foco em IP.

Uma interconexão direta se passar pelos USA, que será operado pela EllaLink, uma joint venture formada pela Telebrás (dona de 35% das ações) e a IslaLink (dona de 45% das ações), os 20% restante são de fundos de investimento. Para o projeto total estão estimados aproximadamente US$ 200 milhões.

Com quase 6 mil km de extensão, o cabo vai permitir a transmissão de dados de 30 terabits por segundo. Vai partir de Santos, em São Paulo, com um hub (difusor de dados) em Fortaleza, no Ceará, e chegará até Sines, em Portugal. Também permitirá o acesso aos Pontos de Troca de Tráfego (PTTs) nas cidades de Frankfurt, Amsterdã, Londres e Paris. O cabo também poderá ser ancorado na Guiana Francesa, Cabo Verde, nas Ilhas Canárias e em Madeira. É importante salientar que o EulaLink vai dar mais independência as comunicações IP do Brasil sendo uma rota direta para a Europa, aumentando a capilaridade de rede e por consequência barateando os custos. Para os provedores que queriam mais alternativas de lan to lan para os PTTs da Europa, como o DE-CIX, já encontram neste cabo, alternativas que com certeza serão de menor custo que as atuais.

South Atlantic Express (SAEx). O SAEx é um cabo da SimplCom South Africa , eFive Telecom (e outras empresas em consórcio) com 4 pares de fibra, com capacidade 40tb/s, vai interconectar diretamente o Brasil e a Africa do Sul, planejado para entrar em operação em 2017. Será muito importante para otimizar as comunicações do Brasil com a Europa e região BRICS.

South Atlantic Cable System (SACS)

A prefeitura de Fortaleza e a Angola Cables, empresa que reúne os cinco principais operadores de telecomunicação angolanos, assinaram nesta sexta-feira, 24, um contrato que prevê a criação de um data center de cerca de três mil metros quadrados de área de TI, além da construção da estação dos cabos submarinos que acolherá, para além de outros, o cabo do SACS – South Atlantic Cable System –, que liga Angola ao Brasil e que será o primeiro a atravessar o Atlântico Sul.

O Cameron-Brazil Cable System (CBCS) é um cabo óptico que interliga o Brasil a Africa (Fortaleza/BR – Kribi/Camarões), com aproximadamente 6000km, contendo 4 pares de fibra com capacidade total de transmissão de 100 comprimentos de onda (100 lambda) com capacidade final total de 32Tb/s de propriedade do consórcio CamTel, China Unicom, Telefonica. Projetado e instalado pela Huawey, esta previsto para entrar em atividade no final de 2017.

O Seabras-1 é um cabo óptico de 6 pares de fibra, com capacidade de 60tb/s interconectando São Paulo/BR, Fortaleza/BR e Nova York/USA, com a missão de ser mais um cabo para otimizar as comunicações e melhorar a capilaridade de telecomunicações entre Brasil e Estados Unidos. De propriedade da Seaborn, sendo financiado por diversos grupos de investimento inclusive o Parner Group e o banco francês Natixis que estruturou a operação de financiamento. A Alcatel-Lucent iniciou a instalação no final de 2014 e ele estava previsto para entrar em operação no final de 2016. A Microsoft já tem contrato fechado com a Seaborn para transporte.

A infraestrutura de backbone óptico é fundamental para os avanços da sociedade e das comunicações em hipermídia, estamos relativamente atrasados em comparação com outros lugares no mundo, precisamos aumentar a capilaridade de nosso backbone, tanto interno (Rede nacional) quando externo.

Em um próximo artigo, vamos falar dos aspectos técnicos de um projeto de cabeamento submarino e detalhar um pouco mais um dos principais cabos em operação no Brasil, o SAM-1.

Victor Mansur

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