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Educação, jogos eletrônicos e alienação: salve seu filho!


Segue o segundo texto da trilogia do Marcelo Adães. Neste, ele fala sobre a importância da evolução da tecnologia na educação.


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Por Marcelo Adães

Semana passada meu filho de 9 anos me perguntou, para seu trabalho de escola: “Pai, como era a sua escola quando você tinha a minha idade?”. Por mais que eu tenha me esforçado, só consegui responder que a única diferença relevante era que eu não tinha aulas de informática. Essa resposta me incomodou muito, pois significa que em 37 anos não houve uma mudança significativa em nosso sistema de ensino.

Nossa sociedade tem evoluído do modelo industrial para o modelo de serviços e o sistema educacional não acompanhou essa mudança. As aulas continuam sendo expositivas, focadas no professor que ainda se posiciona como o detentor do conhecimento e usa o tempo de sala de aula para transmitir esse conhecimento ao aluno e testá-lo medindo a absorção, ignorando completamente a transformação do acesso à informação causada pela tecnologia e Internet. A aula de informática, quando existe, é apartada do currículo e não uma ferramenta de apoio às demais disciplinas. Hoje a maior fonte de informação do estudante não é o professor, mas a Internet. Tudo o que o professor fala em sala de aula pode ser verificado, contestado, complementado, comparado e analisado com uma simples busca. Temos à nossa disposição o currículo completo de todas as séries de todas as formações acadêmicas, gratuitamente, on-line. A função do professor portanto deveria ser a de facilitador na obtenção e organização desse conhecimento, individualizando e multiplicando o aprendizado.

Mais importante do que a ubiquidade da informação é o fator tédio. A criança nascida depois da criação e popularização da Internet está acostumada a aprender de uma forma diferente, mais focada nos seus interesses, com mais dinamismo, comparando várias fontes de informação e, mais importante, interagindo, se comunicando e se expressando no processo, seja através de um simples “like” em uma página, seja através de comentários, participação em discussões, ou até mesmo reunindo, organizando e publicando conteúdo sobre determinado assunto. Não parece que a sala de aula ficou muito chata agora?

Existem várias formas de incorporar o ambiente e a dinâmica dessa geração digital no processo de aprendizado estudantil, sendo a mais notável dos últimos anos a Khan Academy (pt.khanacademy.org, não deixe de visitar), mas eu gostaria de focar na minha preferida que é a gameficação do aprendizado. Por que uma criança de 12 anos consegue aprender o nome de 200 Pokemons (existem mais de 600), e suas características principais como espécie, habilidade, e índices de ataque, defesa e velocidade? E por que é tão difícil aprender o nome de 196 países, seus continentes, população, capitais e línguas? Porque se ela não souber as características do seu Pokemon e do oponente no jogo, ela vai perder uma batalha e perder o seu Pokemon para o adversário. E no caso dos países, não aprender sobre eles não vai mudar em nada a vida delas.

A conclusão então é criar jogos com conteúdo educacional para smartphones, tablets e consoles. Mas… muitos desses jogos já existem! As lojas da Apple e do Google, respectivamente AppStore e PlayStore, possuem categorias específicas para educação, e lá é possível garimpar excelentes jogos educacionais. Ainda não foi criado um jogo matador, que tenha se popularizado sozinho pelo boca-a-boca digital entre crianças, como acontece com vários outros. Por isso nós pais, professores, tios e avós, podemos ajudar a criança na escolha e incentivar o uso de jogos eletrônicos com funções educacionais. Se você conhece ou indica algum, coloque nos comentários. Talvez os jogos educacionais de qualidade só precisem de um empurrãozinho para se popularizarem e assim atrair mais desenvolvedores e consumidores.

Mas cuidado com o caminho inverso: proibir os jogos eletrônicos pode alienar a criança de uma nova forma de interação, socialização e aprendizado. Não jogar jogos eletrônicos hoje em dia é tão prejudicial quanto jogar demais. O segredo é encontrar a medida certa, e para isso os pais não podem ficar distantes, apenas proibindo ou permitindo. É necessário envolvimento e orientação.

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Marcelo Adães, Espacialista Senior na Solutis

Victor Mansur

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3 Respostas

  • Jean Coutinho em 15 de março de 2016, 22:38:29

    Marcelo, concordo com cada palavra , tenho um filho de 14 anos que desde os 10 se recusa estudar pois diz que a escola e tediosa e nao tem nada de intuitiva, para ele, ficar sentado ouvindo um professor falando e escrevendo no quadro negro é o pior castigo da vida dele!
    Hoje ele está no 9°ano, e o ano que vem ele estará no ensino mèdio, a preocupaçao que temos é onde colocar um adolescente que ja nao tem mais paciencia com um ensino tão arcaico …

    Responder para Jean
    • Marcelo Adães em 16 de março de 2016, 10:03:27

      Obrigado pelo depoimento, Jean. Algumas poucas escolas estão tentando mudar isso, mas muito poucas.

      Alguma recomendação de jogos educacionais “virais”?

      Responder para Marcelo
  • Marcelo Adães em 16 de março de 2016, 10:07:01

    Meu filho tem jogado muito esse, mas com a participação minha ou de minha esposa, o que torna o processo ainda mais interessante: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.etermax.preguntados.lite

    Responder para Marcelo

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