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Inovações tecnológicas na ortopedia que beneficiam os pacientes


Escrito por: David Sadigusrky

Médico Ortopedista, especialista em cirurgia do joelho e traumatologia esportiva. Sócio-Diretor na Clínica UORT.

CRM 17295 TEOT 10965

http://lattes.cnpq.br/1622118606885631


A realidade virtual vem ganhando inúmeras aplicabilidades no mundo atual. Há alguns anos a medicina iniciou o seu uso para o tratamento da dor após traumas graves ou no câncer. O grande beneficiado desta nova tecnologia é a melhora da qualidade de vida dos pacientes que sofrem de algum transtorno.

Algumas instituições no mundo vem desenvolvendo laboratórios de realidade virtual no intuito de aprimorar técnicas cirúrgicas, fazer o treinamento de cirurgias complexas de forma individualizada ou auxiliar na reabilitação dos pacientes, tanto em período pós-operatório quanto para recuperação de doenças neurológicas. Médicos ortopedistas já utilizam este recurso em várias partes do mundo, auxiliando no treinamento de residentes em fase de especialização ou para treinamento de vídeo-cirurgias também para médicos com experiência. O ambiente cirúrgico pode ser reproduzido de forma muito próxima à realidade. Com isso as cirurgias podem ser executadas de forma mais ágil, permitindo ao mesmo tempo uma maior precisão na execução do procedimento.

Durante a reabilitação de pacientes que sofreram um trauma na coluna vertebral com lesões medulares ou após acidentes vasculares cerebrais e até mesmo paralisias na infância, esta tecnologia de realidade aumentada permite uma recuperação mais prazerosa tanto para crianças como adultos, já que reproduz um ambiente confortável, divertido ou desafiador.

O Hospital das Clínicas de São Paulo (HC-FMUSP), demonstrou resultados favoráveis com o uso dos óculos de realidade virtual para melhoras clínicas de pacientes com Parkinson. Alguns pacientes relataram maior segurança para andar e mais firmeza na marcha com a fisioterapia associada à tecnologia, conforme artigo publicado no G1.

Outra importante aplicação da realidade virtual que vem ganhando bastante atenção, é no campo psicológico. Pacientes com transtornos pós-traumáticos assim como atletas que sofreram lesões, como fraturas ou roturas de ligamentos, podem aprender a superar o medo da ocorrência de um novo acidente, podendo retornar mais rápido ao esporte, no mesmo nível de habilidade e confiança, prévios ao acidente. Desta forma, uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos, fisioterapeutas e médicos, podem trabalhar em conjunto, utilizando esta importante ferramenta tecnológica. No mercado existem alguns equipamentos que permitem avaliar os movimentos e coordenação dos indivíduos (tempo de reação, potência, altura do salto, distância percorrida e etc.), através de um Software como o Reactor® da Cybex®, que utiliza sensores no solo ou através da emissão de sinal infravermelho proveniente de um cinto preso ao corpo, como o Cybex Trazer®, todos dentro de um sistema de realidade aumentada. (Ortopedia e Traumatologia – 5ed: Principios e Prática. 2016)

A execução de exercícios físicos a distância com um realidade virtual em 3D, permite da mesma forma, que pacientes corrijam a sua postura ou intensidade dos movimentos, de forma constante, podendo contar com o auxílio da telemedicina, levando os profissionais da área de saúde para dentro de suas casas, mesmo a longa distância.

Esta tecnologia levanta algumas discussões sobre o campo ético e legal, tendo em vista que o contato com médicos e especialistas da área de saúde, poderão perder de forma significativa o contato direto com os pacientes, tão importante para o tratamento e diagnóstico completo das patologias. No entanto, ainda existe muito campo para que esta tecnologia de realidade virtual seja desenvolvida e adaptada para os recursos da medicina.

Victor Mansur

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