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Membro Biônico – A Revolução Tecnológica na Ortopedia


Escrito por: David Sadigusrky

Médico Ortopedista, especialista em cirurgia do joelho e traumatologia esportiva. Sócio-Diretor na Clínica UORT.

CRM 17295 TEOT 10965

http://lattes.cnpq.br/1622118606885631

                                          www.davidsadigursky.com.br


Em muitos filmes de ficção cientifica assistimos com frequência passagens que exibem uma das tecnologias que mais despertam a curiosidade dos seres-humanos, que é a implantação de membros biônicos, ou seja, a substituição de partes do corpo humano por um aparelho robótico. No entanto, muitas pessoas não sabem o quanto toda essa tecnologia é realidade ou ainda permanece no campo da ficção.

Entre os filmes mais impressionantes que exibem passagens sobre o assunto, temos a trilogia Guerra nas Estrelas em O Retorno de Jedi, de 1983, quando Luke Skywalker tem o seu antebraço cortado pelo sabre de luz de Darth Vader e em seguida recebe um novo antebraço mecânico, preservando as mesmas funções e capacidade funcional de antes do incidente. Mais recentemente Marck Wahlberg apresenta funções extraordinários com o exoesqueleto, permitindo realizar atividades que seriam impossíveis para o ser-humano e que poderia ser utilizado mesmo para um indivíduo paraplégico.

Quando assistimos a estes filmes, podemos sonhar com as maravilhas desta tecnologia e como seria bom para a humanidade se já fossem acessíveis a todos os que necessitem, como por exemplo, pessoas amputadas em seus membros ou portadoras de doenças neurológicas. Porém onde estamos até o momento no desenvolvimento desta tecnologia e quando será permitida a sua utilização formal no campo da medicina?

Ortopedistas islandeses da empresa Ossur desenvolveram recentemente sensores mioelétricos (IMES) que permitem o controle de partes do corpo amputados que foram substituídos por próteses biônicas. O estímulo para desencadear os movimentos são realizados por pequenos sensores que funcionam como gatilhos para permitir que a prótese se movimente de forma instantânea através de receptores nervosos nos músculos. Estes receptores recebem os estímulos neurais permitindo a contração e movimentação da órtese. Esta tecnologia está sendo financiada nos EUA pela Fundação Alfred Mann, que desenvolve equipamentos médicos inovadores para pacientes. O aparelho criado pela Ossur, permite a resposta a estímulos tanto conscientes intencionais quanto subconscientes.

A sofisticação dos novos aparelhos protéticos é capaz de superar todas as barreiras impostas aos deficientes físicos. Em Campinas (SP), o Instituto de Próteses e Órteses (IPO) acompanha a tecnologia em pacientes amputados, com aparelhos que respondem a cada segundo pelo menos 60 análises de movimentos, permitindo que sejam executados de forma harmoniosa e com menos desgaste físico. Nos membros inferiores, um sistema computadoriza hidráulico permite a reprodução dos movimentos do joelho e tornozelo, sendo possível o acompanhamento de todas as fases da marcha. Outra instituição de pesquisa em São Paulo, o Centro Mirian Weiss, desenvolve o acompanhamento de pacientes amputados, colocando como maior desafio aqueles indivíduos que sofreram a perda do membro na altura da região próxima ao quadril, pois apresentam maior dificuldade descer planos inclinados. Esta dificuldade imposta esta sendo resolvida com o desenvolvimento de melhores processadores nos músculos dos membros inferiores e no cérebro.

No MIT (Massashussets Institute of Tecnology) vem desenvolvendo em seu departamento de mecatrônica, o aprimoramento desta tecnologia sob a coordenação do pesquisador Hugh Herr. O seu departamento constrói além de robôs autônomos completos, próteses biomecânicas com microprocessadores eletrônicos com o objetivo de devolver aos pacientes a sua capacidade funcional completa, no que que tange as principais funções como equilíbrio, velocidade e performance. Estas novas próteses criadas no MIT Media Laboratory são pioneiras na melhora da qualidade de vidas dos deficientes físicos, com os modelos bio-híbridos inteligentes e exoesqueletos. O modelo mais avançado criado foi denomidado Rheo Knee. Com esta tecnologia a empresa promete uma função com níveis normais de andamento como se possuíssem um membro biológico normal. Os trabalhos de Hugh Herr lhe renderam o prêmio Princesa de Astúrias de Pesquisa Científica e Técnica, que é tão prestigiado internacionalmente quanto o prêmio Nobel. O prêmio foi resultado do desenvolvimento das próteses biônicas inteligentes controláveis pelo cérebro, combinando inteligência artificial, neurofisiologia e robótica.

MIT já havia desenvolvido de forma mais acessível a impressão 3D de próteses de joelho, tornozelos e pés para portadores de doenças como esclerose múltipla, dando estabilidade ao membro sobre qualquer superfície.

O grande avanço que faltava nesta tecnologia era a interação da biologia com a mecânica, e esta barreira tem sido quebrada a cada década. Em breve estaremos aptos de forma universal a devolver ao corpo humano a sua capacidade completa de função.

Entre as tecnologias mais avançadas no campo dos implantes biônicos já disponíveis na vida real, temos: a mão artificial, dispositivo denominado BeBionic, desenvolvido pelo grupo Steeper do Reino Unido; o implante cerebral de seda, que é inserido na superfície do cérebro e permite auxiliar pacientes com epilepsia cerebral, lesões da coluna vertebral e com distúrbios neurológicos e o e-Dura que é implantado na coluna espinhal para permitir a passagem de impulsos elétricos em trechos danificados que causam ausência de movimentos em pacientes com paralisia.

A grande limitação ainda enfrentada por todo este avanço tecnológico, para  que acesso seja permitido de forma global, ainda se faz no quesito custo. Ajustes ainda estão feitos para que a tecnologia se torne viável a todos. Muito em breve todos os pacientes que necessitem do corpo biônico poderão ser beneficiados com o aumento da capacidade física dos seres-humanos, assim como a sua qualidade de vida.

 

Referência:

Revista Viva Saúde

Administradores – Notícias

Jornal NH

Victor Mansur

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