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O Uber médico chegou!


Escrito por: David Sadigusrky

Médico Ortopedista, especialista em cirurgia do joelho e traumatologia esportiva. Sócio-Diretor na Clínica UORT.

CRM 17295 TEOT 10965

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Inúmeras maravilhas tecnológicas surgiram com os aplicativos (APPs) de celulares, no intuito de facilitar o nosso dia-a-dia, aumentando a nossa capacidade de realização de tarefas e otimizando o tão precioso tempo. O UBER é um grande exemplo de aplicativo de sucesso e indispensável nos dias atuais, permitindo maior agilidade no deslocamento das pessoas.

No campo da medicina não poderia ser diferente. Quem nunca precisou de um médico e teve dificuldades de acessa-lo, principalmente pelas limitações de locomoção? Como seria poder escolher um médico da sua preferência com as especializações desejadas para atender em nossas casas?

Assim como o UBER, os aplicativos de solicitação de atendimento médico domiciliar já é uma realidade. O primeiro APP lançado no Brasil, o ‘’DOCWAY’’, foi desenvolvido em Curitiba e já está chegando nas principais cidades do país. No caso de uma emergência, o paciente não escolhe o médico, mas o aplicativo garante o atendimento em no máximo três horas. A consulta é paga pelo cartão e os pacientes com planos de saúde podem solicitar o reembolso da prestadora. O interessante é que o UBER pode ser associado aos APPs que adiciona o valor do transporte na consulta. (Fonte Revista EXAME, 30 jun 2016).

É sem dúvida um grande vantagem tanto para pacientes quanto para médicos. É preciso lembrar que as consultas domiciliares são práticas realizadas por médicos há muito tempo. Há muitos anos, o programa de saúde da família pratica estes serviços, porém com a grande vantagem de manter o acompanhamento de cada indivíduo, prezando principalmente pela prevenção das doenças, fazendo parte do sistema público de saúde.

A ideia do APP médico é unir a tecnologia com uma prática realizada por algumas empresas do setor de saúde. Um bom exemplo é a VITALMED, que a partir de uma mensalidade fixa, dispõe de atendimento clínico domiciliar ou transporte de pacientes aos hospitais, quando necessário. No caso dos APPs, o pagamento se torna por demanda, facilitando o acesso conforme a necessidade, permitindo que os gastos sejam mais acessíveis, principalmente em se tratando de uma família. A utilização do APP conforme a necessidade, evita que apenas parte dos membros tenham acesso ao recurso de atendimento domiciliar.

Com tamanha praticidade é de se pensar que alguns cuidados devam ser tomados que se possa preservar a saúde dos usuários. O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou uma nota regulamentando o chamado “Uber da Medicina”. Porém, estipulou algumas regras, como a exigência de que todos os especialista anunciados tenham a titularidade comprovada para a sua atuação na área, além da existência de um diretor-médico que seja responsável pela equipe contratada e que possa responder pelas irregularidades que possam ocorrem; o arquivamento dos prontuários de atendimento e a inscrição dos APPs no CFM. Outras regras exigidas seguem as normas determinadas previamente pelo CFM no que tange a divulgação do preço das consultas, publicidade individual e respeito a todos os quesitos do código de conduta de ética médica.  (Fonte: Conselho Federal de Medicina, RESOLUÇÃO CFM nº 2.178/2017, Publicada no DOU de 28 de Fevereiro de 2018, Seção I, p. 138).   

Segundo o CFM, a empresa que mantém a maior quantidade de usuários encontra-se em mais de 160 cidades e em todas as capitais do país, contando com  2.700 médicos cadastrados, totalizando cerca de mil consultas por mês.

Existem alguns aplicativos no marcado além do ‘’DOCWAY’’, como o ‘’DOUTOR JÁ’’, ”BEEP SAÚDE” e o  ‘’DOCTORENGAGE’’. Entre as especialidades mais acessadas estão pediatria, clínica médica e medicina da família.

A grande questão em debate, no entanto, paira em torno a universalidade do acesso à saúde. O “Úber da medicina” se apoia na ideia de prestação de um atendimento mais personalizado e de qualidade. Os custos das consultas, no entanto, não permitem o acesso da população mais carente a estes APPs, que desta forma mantêm a simples função de ofertar a praticidade. A outra questão que não podemos deixar de frisar é que a comodidade no atendimento médico nem sempre esta ligado à qualidade. Da mesma forma, não podemos afirmar, que o tratamento individualizado será também impecável ou superior ao atendimento em consultório. A qualidade no prestação da consulta clínica envolve fatores que absorvem desde a formação acadêmica, assim como a educação e experiência adquirida por cada médico.

Esperamos que os aplicativos de “Uber Médico”  de fato venham a somar como um recurso positivo diante do avanço tecnológico da medicina. Que não seja apenas uma ferramenta de facilitação do acesso e sim como uma meio de humanização da saúde.

Victor Mansur

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