marca do Jornal A TARDE

 

Segurança na internet para crianças


Este é o último texto da trilogia do Marcelo Adães. Para quem tem filhos, os olhares atentos devem ser redobrados com a quantidade de informações de fácil acesso que temos na rede.


 

 

 

crianca-internet

 

A receita é simples, conhecida e está em vários lugares da Internet, com pequenas variações. Podemos dividir as preocupações que envolvem o uso da Internet por crianças e adolescentes em dois grandes grupos.

No primeiro grupo temos ameaças e riscos que agem contra a integridade psicológica e emocional da criança:

  • Conteúdo inapropriado: conteúdo pornográfico, violento, autodestrutivo ou simplesmente inadequado para a idade.
  • Contatos indesejados: bullying, assédio sexual, perseguição, roubo de identidade e amizades falsas com segundas intenções.
  • Ameaças digitais: programas de computador maliciosos como vírus, spywares, worms, rootkits e outros.

No segundo grupo, vemos a criança ou adolescente como agente de comportamentos impróprios:

  • Compartilhamento de informações indevidas: informações que revelam o endereço residencial ou a escola frequentada, que podem ser utilizadas por pessoas com más intenções, ou informações que podem constranger a própria criança, desde uma foto com nudez parcial ou fotos de ações reprováveis cometidas pela criança ou seus familiares.
  • Compartilhamento de conteúdo de terceiros: filmes, músicas, jogos piratas ou outro conteúdo protegido pelas leis de direitos autorais.
  • Comentários depreciativos: bullying, ofensas, calúnias, assédio ou perseguição de terceiros.

A lista das principais recomendações para a proteção das crianças e adolescentes também não é nenhuma novidade, ou não deveria ser:

  • Usar apelido ou nome falso em redes sociais, quando possível.
  • Configurar os dados do perfil de rede social para serem privados de forma que apenas os contatos conhecidos tenham acesso.
  • Não divulgar informações pessoais, com atenção a dados como endereço, telefone, e-mail, nome da escola, ou fotos que possam revelar essas informações.
  • Nunca responder mensagens de pessoas desconhecidas, e nunca se encontrar pessoalmente com alguém que conheceu on-line.
  • Ser cortês e respeitoso da mesma forma que se é cortês e respeitoso na vida real.
  • Pensar sempre duas vezes antes de postar algo, pois não é possível voltar atrás. Tudo que se posta pode ser copiado, não adianta apagar depois.
  • Considerar que ao enviar uma foto ou vídeo pessoal, o mesmo poderá (e provavelmente será) visto por outras pessoas além do destinatário original da mensagem. A criança deve ser orientada a entender que não existe privacidade na Internet. Da mesma forma, não se deve compartilhar informações de amigos ou colegas.
  • Não revidar ou responder a mensagens ofensivas, provocadoras, ou de conteúdo impróprio.

A lista acima deve ser discutida e explicada para as crianças, mas existem ações que são responsabilidade dos pais, professores e responsáveis:

  • Utilizar software de segurança no computador. Existem softwares especializados no bloqueio de ameaças digitais, e outros que controlam o tipo de conteúdo que pode ser acessado, como pornografia.
  • Manter o computador em área comum quando possível.
  • Ter as senhas de acesso a redes sociais, aplicativos de bate-papo e outras.
  • Monitorar o registro de conversas e conteúdos acessados.
  • Combinar limites de tempo de uso da Internet.

Estendendo um pouco o assunto do bullying digital, ou cyberbullying, muitas vezes a criança não sabe reconhecer a situação e por isso age de forma inapropriada. Explicar exemplos simples de cyberbullying pode ajudar:

  • Agredir verbalmente ou através de mensagem de texto.
  • Enviar mensagens ameaçadoras.
  • Tirar fotos humilhantes da vítima e compartilhar ou ameaçar compartilhar.
  • Filmar agressões e compartilhar ou ameaçar compartilhar.
  • Usar a conta de outra pessoa para mandar mensagens embaraçosas.
  • Enviar mensagens anônimas maldosas ou ameaçadoras.
  • Ignorar em grupo propositadamente um indivíduo.
  • Enviar conteúdo inadequado como fotos ou vídeos violentos.

Agora atenção, muita atenção. Existem duas ações que não funcionam:

Proibir a criança de acessar a Internet. Proibição dificilmente funciona, é sempre melhor manter uma conversa aberta e apostar na confiança e cumplicidade.

Deixar a criança se virar sozinha, “afinal ela entende desse negócio de Internet mais do que eu”. Não fuja da responsabilidade de mãe ou pai. Se você não conhece, aprenda. Se você não entende, peça ajuda. Se você não gosta, faça por amor ao seu filho ou filha. Mas não dá para ser negligente. O mundo digital é muito parecido com o mundo real no que diz respeito às relações humanas e ao que existe de ruim nas pessoas, e é nossa responsabilidade orientar nossos filhos e filhas nessa caminhada.

eu 3

Marcelo Adães, Especialista Sênior na Solutis

Victor Mansur

Outras postagens de

Menu