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Pense global, aja local” – empresários debateram as oportunidades de negócios no Marketing Digital para os próximos dez anos


Evento realizado pela Zygon Digital discutiu importância da conexão entre academia e mercado, vocação inovadora do Estado e maior cooperação no mercado local

Investimento em educação e capacitação de profissionais para evitar a fuga de cérebros para outros grandes centros; desenvolver um pensamento grande com relação aos projetos, menos local e mais global; e estabelecer uma autêntica cooperação até mesmo entre os que se consideram concorrentes na área para fortalecer o mercado. Estas foram algumas das principais reflexões trazidas pela Overview 2027, evento realizado pela Zygon Digital e que reuniu os mais importantes representantes da publicidade e da mídia baiana, nesta terça-feira, na Casa do Comércio.

Logo na abertura do evento com a apresentação “This is Tomorrow. Now”, Lucas Reis, CEO da Zygon Digital, abordou o novíssimo conceito de “disrupção” – a palavra da moda segundo ele e que prega, a grosso modo, uma ruptura com o que já existe e traz embutida a ideia de que tudo vai mudar, mas que não aponta para onde o mundo vai e se as mudanças darão ou não certo. “Muitos apostaram num passado não muito recente que o computador pessoal jamais faria sucesso, assim como o iPhone, ou a cultura dos games, por exemplo, mas a realidade está aí para demonstrar que a ruptura dos paradigmas é inevitável”, disse Lucas Reis. Otimista, ele ainda ilustrou que duas das cinco maiores empresas do mundo têm suas receitas advindas da publicidade.

“Há quase 20 anos, especialistas apontavam que o futuro estava no digital. O mantra permaneceu vivo pelos dez seguintes e chegamos aqui com mais previsões de que o futuro está no digital sem tomarmos consciência de que já chegamos ao futuro. É preciso lembrar que a maior empresa de transporte do mundo (Uber) não possui um único veículo, que a maior rede de hotéis do planeta (Airbnb) possui zero hotéis, e que a maior empresa de mídia do mundo (Facebook) nada produz em conteúdo”, justificou.

De acordo com ele, Tech – a simples redução da palavra tecnologia – virou um sufixo de modernidade e é por isso que é cada vez mais comum, através desses conceitos de disrupção, vermos nomenclaturas como Agrotech, Edutech, Martech:  “É verdade que tudo está mudando com muita velocidade, mas a melhor forma de prever o futuro é criá-lo, conforme dizia o pensador austríaco Peter Druke, e o princípio fundamental continua sendo o mesmo – a criatividade –, mas é preciso pensar grande e globalmente, como um ecossistema de inovação conectado”.

Presentes à mesa-redonda que discutiu o tema “Start us Up: ecossistema de inovação ou como a Bahia pode liderar a Indústria de AdTech”, os participantes reforçaram questões como educação, associativismo e a sinergia entre poder público e iniciativa privada.

Marcelo Dultra, ex-gestor da Incubadora do Parque Tecnológico, também foi enfático ao falar da migração de talentos para outros estados e de que há em Salvador a cultura da Síndrome do Vira-Lata e de que o local aqui se sobrepõe ao global: “É preciso propósito, cooperação, de forma coletiva, com mais engajamento e um mercado mais resiliente às intempéries econômicas”.

Para Rodrigo Paolilo, líder local do Anjos do Brasil, o maior grupo nacional de investidores anjos, a Bahia, além da necessidade cada vez maior de investimentos em educação, sofre ainda pela ausência de uma cultura de associativismo e mais recentemente, por causa dos escândalos de corrupção, da perda de referências de bons exemplos empresariais com perspectiva ética cidadã e maior vocação social, que incentive a pensar grande, com mais resiliência e mirando-se em exemplos bem-sucedidos, como os que se observam em Santa Catarina, o estado mais empreendedor do Brasil.

Humberto Garrido, do Hub Digital de Salvador; também insistiu que o ente público deve funcionar como catalisador de boas iniciativas e seja o agente que possa transferir recursos s e know-how para a iniciativa privada, até porque empresas robustas estão se preparando para investir na Bahia, apostando em inovação. É preciso resgatar a autoconfiança e a ousadia, dando um fora na acomodação.

Criatividade, inovação e protagonismo

“Numa sequência histórica que nasceu no marketing e avançou para metas, vendas, inovação, mundo digital, performance e inteligência, chegamos praticamente à fase do Martech”, avisou Urbano Sampaio, CSO da Zygon Digital, e que conduziu a apresentação “Inovação: Temos? Podemos? Faremos?” e conduziu o debate sobre por que temos de esperar dez anos para sermos protagonistas.

”Chegamos a um ponto de produção  gigantesca de dados (2,5 quintilhões de bytes por dia, cerca de 90% nos últimos dois anos) e teremos, em 2020, quatro vezes mais informação do que a que temos hoje”, explicou Urbano Sampaio. De acordo com ele, é mais importante entender os dados já existentes que focar na captura de novos. “Seja para uma startup, para empresas com maturidade mercadológica ou mesmo em nível de empreendedorismo pessoal, é importante pensar grande, começar pequeno e escalar rápido”, sugeriu.

Para demonstrar o potencial do mercado brasileiro, Urbano Sampaio trouxe dados que mostram que, em 2015, o Brasil já ocupava o segundo lugar no mundo em quantidade de vezes que um anúncio foi exibido em um canal de comunicação online (198 bilhões), com mais de 100 milhões de usuários multiplataformas, sendo nove milhões de uso somente mobile, com 80% destes impactados pelo e-commerce. E, para ele, é nesta questão que a tecnologia pode atacar: “A mídia programática responde à pergunta que todo anunciante deseja: Onde é o melhor lugar para eu estar e encontrar meu mais eficaz consumidor?”

O publicitário Américo Neto, presidente da ABAP-BA; também reforçou a importância da inovação ao lembrar que o consumidor mudou, seus hábitos mudaram, mas se há uma coisa que ainda não perdeu seu valor maior na publicidade é a criatividade. “Inovação não é uma simples palavra; ela se tornou um conceito de sobrevivência porque a mudança, mas que necessária, tornou-se inevitável”, disse. Para ele, o mundo do trabalho ensinado nas universidades há bem pouco tempo é completamente diferente, com o aparecimento de uma série de novas profissões que vêm sendo importante na construção e fortalecimento das marcas, como digital influencers, youtubers, blogueiros etc.

“Viemos de um mundo analógico, no qual analisávamos dados e resultados da concorrência pelo simples recorte de jornal e pelo acompanhamento das inserções no rádio e televisão. Como esses conceitos novos ainda não fazem parte do dia-a-dia do mercado, acredito que a melhor forma de motivar o anunciante é mostrar resultados com os bons resultados que empresas mais antenadas com as novas tecnologias estão obtendo, com o uso de tecnologias como data science, inteligência artificial, psicometria, modelos de atribuição e mídia programática”, analisou.

Para Vitor Bellote, executivo da Oath LatAm e membro do IAB Brasil, é necessário olhar com atenção cada vez mais para a tecnologia, mas, ao mesmo tempo, fugir dos modismos. Segundo ele, o digital promoveu a convergência das mídias e é também por esta razão que a segmentação e a divisão de mercado excessivas devem ser evitadas, como se o consumidor fosse diferente nos mundos online e offline. “O combate à fraude talvez seja o principal desafio a ser enfrentado e o anunciante não deve se ater a uma única métrica, deve buscar identificar robots e inumanos, até porque uma compra por meio eletrônico envolve diversos players. Apesar de todos os desafios que se colocam, o mais valioso de todo o processo é antecipar-se e não ter medo de ousar, aproveitar buscar conhecimento, fazer intercâmbios, e. aí sim, adicionar o tempero local que a publicidade baiana tem”, disse.

Gustavo Queiroz, presidente do Sinapro-BA, veio na mesma reflexão ao reforçar que o começo de tudo é o espetacular talento do baiano, mas o que criou o diferencial global, tanto no Vale do Silício como em outros locais de vanguarda tecnológica, foi o alto investimento em educação e o incentivo para que os jovens tenham o objetivo de mudar o mundo. “Temos na Bahia um grande problema de interação entre a academia e o mercado e a falta de pensar grande, como possíveis protagonistas. Precisamos superar a Síndrome do Vira-Lata e a ideia de que é necessário sair em busca de outros centros, no Brasil ou em outros países”, pontuou.

Para o publicitário, mesmo com toda a criatividade que a Bahia apresenta, o crescimento das mídias e a utilização de ferramentas estratégicas como a mídia programática requer ainda, para o pensamento atual do mercado, menos métricas, mais resultados e faturamento para vencer os desafios e estimular o crescimento. “Mas não adianta possuir tudo isso sem governança porque a cultura baiana ainda vive da falta de colaboração e do sentimento de unidade e coesão entre as forças do mercado, além da crônica falta de infraestrutura: É preciso lembrar que os ecossistemas não se constroem sozinhos e que o Estado deve agir também como  catalisador e promotor de arranjos produtivos para que a disponibilidade de recursos seja grande e permanente”, avaliou.

Presente à mesa que abordou a questão da inovação e do protagonismo local em tecnologia, Ana Coelho, presidente da ABMP, também acredita no poder da inovação, mas pontuou que ela, por si só, não resolve se não houver a existência de um forte propósito e lançou mais reflexões à plateia: “Se o mundo mudou, por que continuamos insistindo em coisas que já se foram, em profissões que estão desaparecendo e práticas que já não atendem as mais básicas expectativas?”

 

Fonte: A3 Comunicação

Victor Mansur

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